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Oportunismo pode comprometer a imagem da empresa

Muitas empresas demonstram engajamento em questões sociais apenas em situações específicas, como, por exemplo, a data que lembra a luta de uma determinada causa. Nestes casos, o posicionamento é momentâneo e esporádico, e em alguns deles sequer condiz com as atitudes da empresa no dia a dia.


Por exemplo, no Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em 28 de junho, muitas empresas postam textos, fotos e frases em suas redes sociais em apoio à comunidade. Mas, no decorrer do ano o engajamento não é visível, pois, além de não ter nenhum funcionário LGBTQIA+, a empresa não opina em temas, como violência, preconceito e descriminação, que são frequentemente debatidos por este grupo. A percepção é a mesma em questões que envolvem racismo. Postar tela preta para dizer que "black lives matter" não é o suficiente diante do tanto que a empresa pode ajudar a causa. Começando, por exemplo, pela contratação de profissionais negros.


Mostrar para o mercado que a empresa está atenta ao debate é, sem dúvidas, importante. O problema é quando o engajamento parece oportunismo, já que a atitude em determinada data não está alinhada ao que é feito no resto do ano. Estar realmente envolvido faz com que o cliente consuma o produto e se identifique com a postura da empresa na sociedade.



Um exemplo: a empresa não desenvolve nenhum tipo de projeto ou campanha em prol da sustentabilidade, mas no dia da terra posta fotos, pendura cartazes, faz anúncios em defesa do meio-ambiente. Para passar credibilidade, é preciso apoiar programas que realmente visem reduzir a poluição, é fazer com que a empresa seja referência na redução dos gastos com água e energia, do uso de plásticos, do lixo produzido, do desperdício etc.


Os exemplos citados são apenas para mostrar que aquele engajamento esporádico não posiciona a marca, não cria identificação, nem fidelidade. É preciso mais do que uma postagem nas mídias sociais. É preciso trabalhar para melhorar a qualidade de vida da comunidade, se posicionar contra a desigualdade, a violência e o preconceito, apoiar instituições ligadas às causas que você acredita, participar de campanhas educativas, entre outros. Alguns influencers já foram questionados por suas contradições, as quais comprometeram a reputação e obviamente o número de seguidores. De que adianta se declarar não racista, mas nunca se posicionar como antirracista, não usar a influência para apoiar o debate e a luta? Ou como aconteceu recentemente, quando um artista disse apoiar a comunidade LGBTQIA+ e, da mesma forma, respeitar os homofóbicos. Não é extremamente contraditório, ou melhor, impossível de conciliar?


Se a sua empresa ainda não participa ativamente de um projeto social, pense seriamente nesta ideia. Tenha em mente que estas ações também beneficiam a equipe envolvida e as instituições contempladas. Uma marca com um posicionamento ativo em prol de causas sociais se humaniza e se fortalece, pois o consumidor não compra somente o produto vendido, ele também compra os valores agregados a ele.